A utilização do TENA para a identificação precoce dos transtornos de aprendizagem

Os transtornos de aprendizagem representam diferentes condições de origem neurodesenvolvimental que afetam o desenvolvimento e o processamento de informações. Um exemplo muito conhecido desse tipo de transtorno é a Dislexia.

De modo geral, se manifestam na infância e prejudicam a aquisição de habilidades acadêmicas básicas como a leitura e a escrita. Por serem quadros persistentes, as dificuldades deles decorrentes podem prejudicar de forma significativa o desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional.

Mas isso não significa que toda criança diagnosticada com algum dos Transtornos de Aprendizagem, obrigatoriamente, não terá sucesso acadêmico ou no desenvolvimento de qualquer outra habilidade. Isso porque eles têm tratamento!

Muitos profissionais como fonoaudiólogos, pedagogos, psicólogos e psicopedagogos se dedicam a estudar e propor programas de intervenção que tem como objetivo auxiliar crianças com esse diagnóstico a superarem suas dificuldades.

Mas para que esse tratamento seja efetivo, ele precisa ser iniciado o quanto antes! O diagnóstico precoce, portanto, em casos de Transtornos de Aprendizagem é fundamental, uma vez que quanto antes seja identificado o quadro, antes se inicie também a intervenção, aproveitando um período de grande plasticidade para a criança.

Nesse sentido, uma série de ferramentas podem auxiliar na identificação e diagnóstico dos Transtornos de Aprendizagem, entre eles, o TENA – Teste de Nomeação Automática. Nesse texto, vamos descobrir o que é e de que forma esse teste pode auxiliar nesse processo tão importante!

Mas afinal, o que é nomeação automática?

A nomeação automática rápida representa a capacidade de nomear, o mais rápido possível e de forma adequada uma série de símbolos, como figuras, letras e números. 

Pode ser descrita como um processo complexo de nomeação que requer a combinação de habilidades cognitivas como atenção, processos perceptuais, memória lexical e aspectos motores necessários à articulação das palavras com informações linguísticas e visuais.

Nessa tarefa, estímulos familiares à criança são apresentados repetidamente, em ordem aleatória e variada, da esquerda para direita. Por exemplo, em uma prancha são dispostas figuras representativas de alguns objetos ou cores, letras ou números, que se repetem de forma aleatória. A criança deve ser capaz de nomear cada um desses símbolos de forma rápida e com o menor número de erros possível.

TENA – Teste de Nomeação Automática

Conforme o nome já indica, o TENA tem como objetivo avaliar a nomeação automática em crianças com idades entre 3 e 9 anos e 11 meses. No Brasil, esse é único teste disponível, padronizado e com dados normativos, ou seja, que permitam verificar que tipos de resposta seria esperado em cada uma das faixas etárias testadas.

O TENA é comporta por 4 subtestes diferentes: cores, objetos, números e letras, sendo cada um deles avaliado de forma individual pelo aplicador do teste. Essa subdivisão permite uma análise mais precisa e específica de cada uma das etapas de desenvolvimento. A aplicação do teste é individual e muito rápida! A avaliação pode ser finalizada em, em média, 10 a 15 minutos, variando conforme a idade e dificuldades apresentadas por cada criança.

Como o TENA pode ajudar na identificação precoce dos Transtornos de Aprendizagem?

Como pudemos perceber até aqui, o TENA possibilita a avaliação de uma série de habilidades. Vale a pena destacar que a nomeação automática é uma habilidade preditora e essencial para o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita.

Nesse sentido, por se tratar de uma habilidade básicas, um desempenho abaixo do esperado no TENA, pode ser indicativo também de dificuldades nos processos de aprendizagem, indicando a necessidade de uma intervenção específica. Esse tipo de tarefa fornecer medidas importantes para diferenciar bons e maus leitores justamente por depender de habilidades também necessárias à leitura.

Por ser de aplicação rápida e simples, é uma ferramenta muito útil em diversos contextos clínicos e pode ser utilizado ainda como um instrumento de monitoramento do desenvolvimento de crianças em idade pré-escolar e escolar.

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