5 coisas que você precisa saber sobre a intervenção na disfonia organofuncional

Disfonia é uma alteração vocal em que a produção da voz é realizada com esforço e sem harmonia. Sabemos que a voz representa um dos principais recursos utilizados para comunicação já que, por meio dela, podemos nos expressar, externalizar pensamentos e sentimentos. Fica fácil perceber então que qualquer alteração vocal poderá limitar também todo o processo de comunicação.

As disfonias podem ter causas e sintomas diferentes e por essa razão, foram classificadas em diferentes categorias. Essa classificação é baseada no comportamento vocal, ou seja, nos sintomas observados e na causa da disfonia, sendo então divididas em disfonias funcionais, orgânicas, organofuncionais.

As disfonias funcionais tem como como causa principal o uso incorreto da voz na ausência de qualquer alteração anatômica, neurológica ou outras causas orgânicas. Já as disfonias orgânicas estão relacionadas a alterações estruturais, neurológicas, inflamatórias ou infecciosas. As alterações vocais decorrentes do refluxo gastresofágico são um bom exemplo desse tipo de disfonia.

Por fim, as disfonias organofuncionais são desencadeadas pela associação de fatores orgânicos e funcionais. Ou seja, pelo uso inadequado da voz que resulta em lesões como nódulos, pólipos, edemas, granulomas etc. Esses quadros também podem ser acompanhados e agravados por fatores alérgicos ou digestivos, por exemplo.

Todas as disfonias tem tratamento, mas a evolução e prognóstico dependem da causa de uma delas e do quanto as estruturas responsáveis pela produção da voz estão alteradas e nesse texto vamos entender um pouco mais sobre o tratamento das disfonias organofuncionais.

Disfonias organofuncionais e tipos de lesões

Para entender o tratamento das disfonias organifuncinais é importe entender que nem todos os quadros serão iguais. Conforme já sabemos esse tipo de disfonia corresponde a alterações vocais acompanhadas de algum tipo de lesão benigna, decorrentes essencialmente de um comportamento vocal alterado e inadequado.

E quais são essas lesões?

A mais conhecida são os nódulos vocais. Lesões geralmente pequenas, presentes nas pregas vocais de forma bilateral e que ocorrem, principalmente, em decorrência de grande esforço vocal. Mas não para por ai!

Outro tipo de lesão bastante comum são os pólipos, maiores que os nódulos, acometem a prega vocal de forma unilateral de forma mais frequente, com origem relacionada a traumas vocais, tabagismo e elitismo.

O Edema de Reinke, o granuloma e a leucoplasia também são tipos possíveis de lesão geralmente causadas pelo tabagismo, elitismo ou mesmo traumas como em situações de intubação orotraqueal.

Características da disfonia organofuncial

As características vocais observadas também vão variar em função do tipo de lesão. Mas, de modo geral, modificam a voz e prejudicam a realização de diversas funções relacionadas à comunicação.

São sintomas comuns desse tipo de disfonia: rouquidão, soprosidade, aspereza, tensão vocal, alterações da frequência e da intensidade vocal. Além disso, não são incomuns relatos de fadiga vocal e dor ao falar.

A observação desses sintomas é fundamental para a identificação precoce das disfonias, o que pode fazer toda a diferença no prognóstico e na evolução diante do tratamento!

Como deve ser o tratamento das disfonias organofuncionais

Assim como as características, o tratamento também se relaciona ao tipo de lesão. De modo geral, dois profissionais serão fundamentais nesse processo: o médico otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo.

O otorrinolaringologista será responsável pela avaliação direta a partir de exames de imagem que ajudem a determinar o tipo de lesão responsável pelas características vocais apresentadas. Já ao fonoaudiólogo cabe avaliar as características acústicas da voz que somada a avaliação médica levarão a um diagnóstico.

Para alguns tipos de lesão, pode ser necessária a realização de procedimentos cirúrgicos como é o caso do pólipo, já a terapia fonoaudiológica será eficiente em necessária na maior parte dos casos.

Como boa parte deles acontece em decorrência de hábitos vocais inadequados, a terapia fonoaudiológica indireta vai ajudar no desenvolvimento de hábitos saudáveis prevenindo novos problemas no futuro.

Já na terapia indireta, um plano de exercícios vocais, adequados a cada caso, irá auxiliar na recuperação da qualidade vocal, buscando eliminas os sintomas apresentados e devolvendo ao individuo a capacidade de se comunicar de forma funcional.

O tratamento das disfonias organofuncinais funciona?

Funciona e muito!

É muito comum, por exemplo, que profissionais da voz como professores ou cantores que diante de um quadro de disfonia foram impedidos de desenvolver suas atividades, voltarem ao trabalho com muito mais qualidade vocal, sabendo como usar a voz de forma mais eficiente e sem provocar novos problemas.

Mas, para que casos assim sejam possíveis, é necessário que o Fonoaudiólogo estude e entenda cada um dos tipos de disfonia, os tipos de lesão e a forma de tratamento, traçando um plano de intervenção eficiente.

Como ser um profissional de destaque nessa área?

Assim como em qualquer área da Fonoaudiologia, o profissional que deseja trabalhar na reabilitação das disfonias deve se especializar e se manter sempre atualizado.

Sendo assim, buscar formações de qualidade que forneçam o embasamento necessário à prática clínica vão fazer toda a diferença não só para o profissional, mas também para cada um dos indivíduos atendidos por ele!

Pensando nisso, a TK preparou mais um curso para aqueles profissionais que desejam se aperfeiçoar nessa área: Atualizações em Terapia Vocal.  O curso de terapia vocal abordará os princípios teóricos e práticos da terapia vocal, além das atualizações na área, considerando os diversos contextos impostos pela pandemia. A cada aula serão apresentadas as evidências científicas e estudos, direcionando a aplicação terapêutica e oferecendo estratégias para a prática clínica.

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