A importância de um time multiprofissional no autismo

Time multiprofissional na intervenção do autismo

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma alteração do neurodesenvolvimento que manifesta, comumente, seus primeiros sinais na primeira infância. 

Pessoas com TEA podem ter seu comportamento marcado em diferentes gradações por uma ou todas das seguintes características:

  • dificuldade de socialização;
  • dificuldade de comunicação;
  • repetição e restrição no padrão comportamental;
  • deficiência no domínio dos códigos de linguagem convencionais para uso social.

Portanto, trata-se de um transtorno que afeta diferentes áreas do desenvolvimento humano, como a fala e linguagem, além das habilidades cognitivas e comportamentais. Uma equipe multiprofissional é a melhor forma de realizar a intervenção no autismo. Assim, a pessoa terá o melhor auxílio durante a vida, sendo o TEA um transtorno que não tem cura.

Continue a leitura e entenda a importância de um time multiprofissional no autismo.

Por que um time multiprofissional?

Na área da Saúde, é crescente o entendimento de que abordagens unidirecionais limitam uma visão de saúde global e integrada, e que uma abordagem multiprofissional tem maior potencial de encontrar, de forma inter-relacionada, tratamentos e soluções inovadoras. 

O autismo se manifesta e se desenvolve de formas diferentes em cada caso. Por isso, cada pessoa terá características em comum com o quadro geral, mas únicas como indivíduo, logo, as opções de intervenção devem ser analisadas como únicas. Assim, um time multiprofissional terá maior capacidade e condições de analisar as diferentes opções de abordagens e as que mais se adequem àquela pessoa, à sua família e ao momento em que se encontram.

Desse modo, no tratamento do TEA por uma equipe multiprofissional, o objetivo comum será a melhora progressiva da qualidade de vida daquela pessoa, sendo cada área abordada pelo profissional a que compete em sua especialidade, mas todos definindo os objetivos juntos, discutindo cada passo e adaptação que se fizer necessária. A intervenção com a Fisioterapia, por exemplo, pode ser fundamental para superar dificuldades no aperfeiçoamento motor e cognitivo do paciente, porém, é insuficiente para lidar com questões relacionadas à fala. 

Com uma equipe multiprofissional, a interação entre todos os profissionais ajuda na concepção de um tratamento que integre as especialidades, conforme as necessidades de cada pessoa. 

Uma equipe multiprofissional, portanto, não é concebida como um time fechado em si mesmo. Ela deve ser construída de forma progressiva, de acordo com a identificação de sintomas e possíveis intervenções, combinando os conhecimentos dos profissionais como forma de aprimoramento.

Qual deve ser a composição do time multiprofissional?

Como citado, a composição do time multiprofissional deve variar de caso a caso. Contudo, alguns profissionais e especialidades são comuns para a maioria das intervenções em pessoas com TEA. 

Para as intervenções especializadas em TEA é fundamental o acompanhamento de um médico psiquiatra ou neurologista. Se for uma criança, o ideal ainda é que seja neuropediatra ou psiquiatra infantil. Esse será o primeiro profissional responsável pela identificação de sintomas e diagnóstico. Muitas vezes, sendo ainda esse um profissional que atue em equipe, ele solicitará avaliações de fonoaudiólogos e psicólogos para auxiliarem nas observações diagnósticas, já que a maioria das características do TEA se encontram na comunicação, interação social e comportamento. Essas observações são essenciais para que a equipe indique quais as áreas com maior necessidade de intervenção naquele momento.

Se, por exemplo, forem identificados problemas relacionados à fala e interação social, é possível que o tratamento possa ser realizado por profissionais da área de Fonoaudiologia, Musicoterapia, Psicologia, entre outros. 

Assim, conforme os sintomas apresentados pela pessoa com TEA e considerando o que é demanda da família, a equipe pode começar a ser definida. E, a partir da interação e troca entre os profissionais, outros tratamentos, abordagens e profissionais de diferentes especialidades podem ser indicados para a equipe.  

Quais são as especialidades normalmente presentes no time?

Embora a composição do time multiprofissional deva variar de caso a caso, algumas especialidades são mais recorrentes na intervenção de pessoas com TEA. Veja, a seguir, quais são elas e qual deve ser o papel desempenhado pelos profissionais:

  • neurologista ou psiquiatra: normalmente, é o primeiro profissional a entrar em contato com a pessoa com TEA e sua família. Ele deve identificar sintomas, realizar o acompanhamento dos tratamentos e definir medicações e dosagens, quando necessário;
  • psicólogo (de base comportamental): deve acompanhar pessoa com TEA e sua família, orientando sobre dificuldades e progressos, e auxiliando nas possíveis estratégias de tratamento;
  • pedagogo ou psicopedagogo: auxilia nos processos de inclusão escolar e familiar, podendo produzir planos individuais de desenvolvimento, materiais e estratégias de aprendizado;
  • fonoaudiólogo: trabalha com intervenções na área da linguagem e comunicação. Podendo atuar no estímulo à leitura, produção de textos e estímulos auditivos, fonéticos e faciais, e comunicação alternativa;
  • terapeuta ocupacional: atua no desenvolvimento e estímulo sensorial no que diz respeito às habilidades táteis, auditivas e visuais, auxiliando na progressão das habilidades motoras, integração sensorial e autonomia do indivíduo;
  • fisioterapeuta ou educador físico: atua no aperfeiçoamento de habilidades motoras e musculares, no tratamento comportamental e na inclusão social.

Lembrando, é claro, a família tem grande importância durante toda a vida das pessoas com TEA, visto que, muitas vezes, ela é afetada pelo transtorno de forma direta e indireta. Todos devem, portanto, receber acompanhamento e atenção especial nas intervenções

Há algumas técnicas e abordagens que podem auxiliar os profissionais que atuam com as pessoas com TEA, que possam ter alterações de fala associadas. Uma dela é o método Multigestos, conheça mais sobre ele no nosso artigo: Conheça o método MultiGestos — Treino para Apraxia de fala!

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