Saiba quais são os riscos da gagueira na infância e como um fono deve intervir!

Riscos para gagueira na infância

A gagueira infantil, caracterizada por rupturas do fluxo de fala, é um quadro conhecido há bastante tempo. Ao longo da história, encontramos diversas citações relacionadas a ela, sendo que algumas viraram até filmes, como é o caso do “O discurso do rei” (2011), de Tom Hooper.

Tão antiga quanto o conhecimento da gagueira é sua associação a fatores emocionais, ou seja, surge a partir de situações traumáticas vivenciadas pela pessoa. Porém, isso é um grande mito!

Com o desenvolvimento de pesquisas e estudos científicos relacionados ao tema, foi descoberto que a gagueira é um distúrbio multidimensional, ou seja, existem vários fatores que influenciam na sua ocorrência. O fator genético ou hereditário, por exemplo, é um dos que oferece maior risco à gagueira.

A gagueira pode se manifestar desde a infância, logo que a criança começa a desenvolver a fala e linguagem. Em números, estudos apontam que 1 a cada 100 crianças desenvolverá gagueira persistente.

Embora seja uma crença popular, a gagueira não desaparece sozinha. Negligenciar esses sintomas ou esperar que ela desapareça faz com que a pessoa que gagueja perca a oportunidade de iniciar quanto antes o tratamento adequado. Além de reduzir suas possibilidades de evolução a longo prazo, considerando que a gagueira infantil pode variar em gravidade de leve a severa.

Portanto, para qualquer pessoa que gagueja, o tratamento adequado e especializado é indispensável e deve começar ainda na infância com o aparecimento dos sintomas.

Abaixo, destacamos os principais sintomas ou manifestações da gagueira infantil. Vamos conferir?

Quais são os principais sintomas da gagueira na infância?

Disfluências gagas

A fala da pessoa que gagueja é marcada por rupturas, chamadas disfluências. Qualquer pessoa pode apresentá-las enquanto fala, mas o que diferencia a fala fluente da gaga é o tipo e a frequência das disfluências.

Geralmente, pessoas que gaguejam apresentam disfluências do tipo gagas, que aparecem em maior frequência, tornando a fala difícil de ser compreendida, como é o caso da:

  • repetição dos sons e sílabas;
  • prolongamentos e bloqueios na fala.

Tensão para falar

Uma característica que diferencia a fala fluente da pessoa que gagueja é a tensão. Ela aparece em graus variados, e podemos observar certo esforço para produzir as palavras, como se fosse difícil falar.

Movimentos associados

Junto ao esforço, é comum observar movimentos com as mãos, braços e cabeça associados aos momentos de disfluência. Eles refletem a tentativa de falar.

Já dissemos que a gagueira é multifatorial e, por essa razão, uma série de fatores podem estar associados a ela. Por exemplo, meninos são mais propensos a desenvolverem gagueira persistente e, quanto mais cedo o início dos sintomas, mais chances deles se manterem a longo prazo.

Por fim, temos que nos atentar às crianças que apresentam outras alterações de fala e linguagem junto à gagueira, pois elas são propensas a terem quadros persistentes.

Como o fonoaudiólogo pode intervir nos casos de gagueira na infância?

A criança tem maior neuroplasticidade, o que significa facilidade para superar as dificuldades relacionadas à gagueira. Por isso, a intervenção nos casos de gagueira infantil é necessária!

Inicialmente, o fonoaudiólogo deve realizar uma avaliação detalhada, buscando compreender:

  • disfluências apresentadas pela criança;
  • frequência das disfluências;
  • movimentos associados à gagueira;
  • impacto da gagueira na sua comunicação.

Ainda, é necessário entender como a criança percebe sua gagueira e de que forma os adultos lidam com essa dificuldade.

A intervenção visa dar à criança condições de lidar com as disfluências a partir de:

  • redução de tensão;
  • técnicas de relaxamento;
  • suavização das produções.

Junto a isso, nos casos de gagueira infantil, é feito um trabalho de orientação aos pais e à escola, para que eles possam lidar da melhor forma nesse processo, auxiliando a criança na busca por uma fala fluente e maior autonomia na comunicação.

O tratamento é o melhor caminho, pois a gagueira não tem cura. Por isso, é comum que ao longo da vida a pessoa que gagueja apresente momentos de maior dificuldade e volte a buscar o tratamento adequado.

O importante é que a gagueira não seja severa ao ponto de prejudicar a vida escolar, profissional e pessoal. Logo, quanto antes o tratamento for iniciado, maiores as chances de reduzir esses impactos.

Não restam dúvidas de que somente um profissional especializado consegue trabalhar todos esses aspectos adequadamente. Para ser esse profissional, o caminho é o estudo contínuo de modo a aprimorar os conhecimentos e se atualizar sobre sua área de atuação. Um fonoaudiólogo especialista em fluência pode fazer diferença na vida da pessoa que gagueja!

Se você se interessa por essa área ou está buscando se especializar, confira o curso da TK “Protocolos e Checklists para Identificação de Fatores de Risco para Gagueira em Crianças” e melhore seu atendimento clínico!

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