Conheça o método MultiGestos – Treino para Apraxia de fala

A Apraxia de Fala na Infância (AFI) é uma alteração neuromotora da fala, onde há dificuldade no planejamento e/ou programação motora da fala. Estudos internacionais estimam que a prevalência da AFI é de cerca de 0,1%, ou seja, 1 em cada 1.000 crianças têm Apraxia de Fala.

Além de isolada, a Apraxia de Fala também pode ocorrer em comorbidades, as mais conhecidas em comorbidade com Transtorno do Espectro Autístico (TEA), Síndrome de Down (SD), Síndrome Velocardiofacial, dentre diversas outras.

E você, fonoaudiólogo (a), está familiarizado com as técnicas de intervenção para a Apraxia de Fala? Se sente preparado para planejar e conduzir intervenção nos casos de AFI? É muito importante estarmos sempre por dentro das técnicas e recursos que podem ser utilizados durante a intervenção para refletirmos sobre o que vale ou não a pena ser implementado na nossa prática clínica. E é por isso que nós da TK vamos falar hoje um pouquinho mais sobre o que é o MultiGestos.

1) O que é o MultiGestos?

O MultiGestos é um método brasileiro de intervenção para Apraxia de Fala na Infância, ele é usado para auxiliar crianças com AFI a se desenvolverem tanto na fala quanto na parte pedagógica. Além disso, o MultiGestos também é uma marca registrada que é um tipo de propriedade intelectual concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O método MultiGestos – Treino para Apraxia de Fala se baseia no uso de pistas multissensoriais para auxiliar o planejamento e a programação motora da fala. Como o próprio nome já diz o uso dos gestos (que não são relacionados a Língua de Sinais ou Comunicação Alternativa, mas sim gestos exclusivos e específicos para este fim) como pista multissensorial é o ponto-chave do método.

O MultiGestos tem o desenvolvimento colaborativo com uma designer, tornando as ferramentas disponíveis para auxiliar na implementação do método mais lúdicas, dinâmicas e atrativas para a população infantil. Existem diversas ferramentas tanto físicas quanto digitais, comercializadas e gratuitas que facilitam e dão suporte durante a execução do método.

2) Como surgiu o MultiGestos?

Tudo começou quando a fonoaudióloga Cinthia Coimbra de Azevedo, especialista em Síndrome de Down, notou que algumas de suas crianças tinham dificuldades na evolução dos aspectos da fala e que muitas vezes tais aspectos não eram compatíveis com a compreensão da criança. Foi daí que ela começou sua busca incansável por possíveis respostas e informações que poderiam auxiliar na intervenção de tais crianças. Foram nessas buscas que a Cinthia encontrou diversas literaturas estrangeiras que a inspiraram a utilizar pistas multissensoriais para auxiliar na fala dessas crianças.

Nesse início, Cinthia utilizava o que seria o MultiGestos de uma forma mais caseira, apenas com seus pacientes. Com o passar do tempo, essas crianças cresceram e precisaram também de apoio para alfabetização, foi aí que entrou Letícia Maria de Paula Silva, também autora do método. A Letícia além de fonoaudióloga também é psicopedagoga com ampla experiência na alfabetização de crianças com Autismo e Síndrome de Down e tinha diversos pacientes em comum com a Cinthia.

Letícia percebeu que o uso dos gestos auxiliava também no processo de alfabetização e começou a trabalhar junto com a Cinthia na sistematização de tais gestos, assim elas teriam um padrão a ser seguido, o que facilitaria o atendimento das crianças que elas atendiam em comum. Com o passar do tempo, elas foram notando a evolução das crianças que estavam utilizando o método criado por elas e a escassez de materiais e recursos disponíveis para as crianças brasileiras e então decidiram publicar o método para que outros fonoaudiólogos, pais, educadores e crianças pudessem ter acesso ao método, surgindo assim oficialmente o MultiGestos.

Em suma, o MultiGestos é uma opção de método para a intervenção da Apraxia de Fala que pode ser utilizado tanto no próprio treino de fala quanto como suporte no processo de alfabetização. O método foi criado por fonoaudiólogas que validaram o mesmo em sua prática profissional e foi totalmente pensado para crianças falantes do português brasileiro, o que garante que todos os fonemas da nossa língua tenham uma pista multissensorial correspondente e diversas ferramentas prontas para o uso que acabam facilitando o dia a dia do fonoaudiólogo.

3) Por que não utilizar métodos tradicionais de intervenção para a fala de crianças com AFI?

  • Primeiro porque o modelo tradicional de intervenção nos aspectos da fonética/articulação não funcionam bem para essas crianças.
  • Além disso, estudos indicam que apenas exercícios de MO isolado não são beneficiais significativos para crianças com apraxia de fala.
  • A utilização de pistas adequadas e estruturadas para este fim, bem como a sua retirada, são o ponto-chave para a intervenção com AFI de acordo com diversos estudos científicos.
  • O treino sem apoio de algo que a criança não consegue realizar acaba desmotivando a criança, visto que é apenas apresentado a elas tarefas dificeis e que elas não conseguirão realizar sozinhas.
  • E por último, mas não menos importante, saber utilizar um método específico para AFI faz toda a diferença no sucesso da intervenção e ter recursos adequados e lúdicos para essas crianças auxilia na motivação e consequentemente na evolução da mesma.

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