O que são as ecolalias e as estereotipias verbais

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do desenvolvimento que tem como características déficits persistentes na comunicação e interação social em diversos contextos. Dentro da atuação com os TEA, uma das grandes questões está relacionada à variada gama de manifestações que afetam a comunicação, linguagem e fala. No dia a dia clínico, o que se percebe é que não há uma delimitação tão clara de sintomas e características e, entre um caso e outro, temos diferenças quanto à quantidade e severidade dos sintomas. Há também outros sintomas que não só os de linguagem, como as alterações de atenção e comportamento, que podem vir a influenciar o processo interventivo.

Sem dúvida, uma das grandes expectativas da família é sempre sobre quando haverá a fala. Muitas vezes, essa fala começa a se manifestar e junto aparecem manifestações como a ecolalia ou as estereotipias verbais. Daí surgem muitas dúvidas por parte da família, dos profissionais envolvidos na intervenção da criança com TEA e até mesmo dos fonoaudiólogos.

Quais são as melhores práticas clínicas associadas à ecolalia? Essas práticas são baseadas em evidências? Como os fonoaudiólogos podem colaborar com outros profissionais para garantir o desenvolvimento comunicativo quando a ecolalia está presente? Na sala de aula, como o professor deve agir? E os outros terapeutas em outros com textos clínicos, como devem lidar com as ecolalias e estereotipias verbais? Os pais e cuidadores, como ficam no meio de tantas orientações quanto a como agir em relação à isso?

Mas antes de chegarmos nesses pontos, precisamos esclarecer algumas questões sobre as estereotipias verbais e a ecolalia.

Estereotipias verbais

Os comportamentos estereotipados são estudados há muito tempo, são comportamentos repetitivos de aparentemente sem função, que podem também aparecer durante o desenvolvimento típico, mas que são muito associados a diversas alterações do desenvolvimento, como no TEA. Isso porque esses comportamentos persistem nesses indivíduos. As estereotipias são normalmente associadas a respostas motoras, mas que podem ser também vocais ou verbais (de fala). Alguns estudos apontam que as estereotipias podem ser automaticamente reforçadas pelas consequências sensoriais que produzem, por isso acabam sendo tão persistentes.

Ecolalia

A ecolalia é descrita como uma forma de imitação verbal. Ela é uma das características mais comuns presentes na comunicação de pessoas com TEA e frequentemente associada a ele. No entanto, assim como as estereotipias, a ecolalia também pode aparecer durante o desenvolvimento típico, sendo a persistência dessa característica um sinal de alerta para alterações do desenvolvimento infantil. Por mais que a ecolalia – como característica dos indivíduos com TEA – seja vista muitas vezes como uma alteração de fala ou um comportamento repetitivo e sem função, ela também pode ser uma ferramenta importante para uma futura manifestação de linguagem com significado e intenção comunicativa, se abordado de maneira adequada por todos que interagem com a criança em diferentes contextos, sejam eles clínicos, educacionais e no próprio ambiente domiciliar.

A ecolalia pode ser classificada em dois tipos: imediata ou tardia (chamada também de mediata). A ecolalia imediata ocorre dentro de até dois turnos de conversação, enquanto a ecolalia tardia ocorre depois de mais de dois turnos de conversação. É importante ressaltar que a ecolalia é um comportamento verbal não estereotipado, portanto ecolalia e estereotipia verbal são coisas distintas, por mais que ambas sejam características frequentes nos TEA e se abordadas adequadamente podem ser uma ponte importante na intervenção.

É muito importante que os fonoaudiólogos que atuem com TEA saibam diferenciar as ecolalias das estereotipias verbais e usá-las a favor da comunicação funcional do indivíduo em seu plano interventivo. Inclusive em indivíduos com TEA a ecolalia pode ser não funcional, isto é, ele pode usar a repetição em eco com palavras e sentenças as quais ele não compreende o significado.

Além dos fonoaudiólogos, todas as pessoas que fazem parte da rotina do indivíduo precisam estar preparadas e bem orientadas para que as suas atitudes comunicativas possam promover uma melhora na linguagem e interação social desses indivíduos.

Como ajudar nesses casos?

Primeiramente é importante que o indivíduo com TEA esteja em intervenção com um fonoaudiólogo capacitado para tal e também em equipe multidisciplinar que supra as necessidades de cada caso.

O fonoaudiólogo é o profissional que irá identificar esses comportamentos, avaliá-los dentro de um contexto mais amplo, incluindo a compreensão da “repetição da fala” muito além da simples repetição em si, mas como linguagem e comunicação e propondo a intervenção mais adequada para aquele momento, para aquela criança e aquela família.

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Referências

https://leader.pubs.asha.org/do/10.1044/echoes-of-language-development-7-facts-about-echolalia-for-slps/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1885411/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26161804/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19838574/

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https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3215891/

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